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PROJETOS SELECIONADOS

Mesquita de Ighels

 Participamos da restauração dessa mesquita milenar, junto de uma equipe internacional recrutada especialmente para essa missão.

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Quando a semente volta à casa, o sentido se faz

Estávamos em Belize, realizando o projeto do Cayo Espanto Resort, quando o Jeremy Mistretta (da New Age Artisans) plantou a semente de uma nova aventura: restaurar uma mesquita secular no Marrocos, que sofreu severos danos quando um terremoto atingiu a região em 2023.

 

Esse projeto seria desenvolvido em parceria com a Atlas Cultural Foundation, que atua em comunidades vulneráveis no país. Eles recebem apoio contínuo da New Age, que destina dez dólares a cada saco de Tadelakt vendido.

O desafio era grande: reformar uma construção de quinhentos anos, feita de terra, madeira, pedras e revestida em cal e gesso. Fomos aplicar o Tadelakt em sua terra natal, junto de mestres artesãos locais.

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Foram convidados oito profissionais de diferentes partes do mundo e todos aceitaram. Parecia estar escrito nas estrelas, e talvez de fato estivesse.

Tivemos a oportunidade de imergir na cultura local, conhecer suas nuances e detalhes de seu cotidiano. Há muita semelhança com a nossa, talvez, mais do que diferenças. A cidade de Ighels, tem menos de mil habitantes, fica isolada em um oásis no meio do deserto e já não contava com ninguém que aplicasse Tadelakt.

A última reforma na mesquita fora a vinte e cinco anos e os artesãos que dominavam a técnica já haviam partido. Foram chamados estucadores de outro povoado próximo.

Chegamos na Mesquita antes dos artesãos locais e decidimos realizar os preparos básicos e aguardar para que eles coordenassem o ritmo de trabalho, afinal, estávamos lá para aprender.

 

No começo da tarde, chegou Iassin, o artesão mais jovem da equipe local. Ele se apresentou, nos deu as boas vindas e passou as primeiras orientações: tragam cimento e areia. Estranhamos, porém acatamos. Não sabíamos qual procedimento ele faria. Rapidamente, ele os transformou em massa, ali mesmo, dentro da mesquita, e passou a chapá-la nas colunas de pedra e argila.

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Esse momento foi como um soco no estômago. Não pude acreditar no que estava vendo: construções naturais (de terra, pedra, cal…) jamais devem ser revestidas com cimento e acrílicos. É uma regra inviolável. Além dos revestimentos não durarem, eles adoecem a edificação.

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A restauração deveria ser feita com revestimentos respiráveis, que possuem ciclo de contração e dilatação coerente com os materiais da construção. Restauros devem ser feitos com lógica semelhante às obras originais. Sem saber o que fazer ou com quem falar, queria apenas dizer “para o mundo que eu vou descer”. Atravessar o Atlântico para rebocar com cimento uma obra de terra de 500 anos! Certamente não era pra isso que havia me alistado.

“O mais importante são as trocas. Não é a força de trabalho que trazemos ou ajuda humanitária. Estamos recebendo e aprendendo muito mais.”

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Descobrimos que Iassin não era restaurador e aplicava Tadelakt apenas em obras atuais. Nunca tinha feito um reboco de terra como o utilizado na mesquita.

 

Mas nossa equipe tinha muita experiência com bioconstrução e assumiu o comando da situação. Rapidamente peneiramos a terra que revestia as paredes e fora removida, acrescentamos areia e palha. Fizemos alguns testes e em menos de uma hora chegamos ao traço ideal.

Produzimos as massas e as aplicamos. As colunas foram remodeladas à perfeição. Foi lindo ver os trabalhadores locais retomando o contato algo tão simples, que estava o tempo todo sob seus pés e fora esquecido.

Ao terminar a fase de rebocos de regularização, antes mesmo de aplicar o Tadelakt, colhi um dos maiores aprendizado da viagem ao ver o brilho nos olhos de Iassin. Parecia criança ao olhar o que fazíamos: “agora tudo faz sentido!”, arrematou. Percebi que aquele momento não era uma descoberta, mas um reencontro.

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Naquela noite, tivemos a honra de conhecer Mustafa, o mestre artesão mais velho. Sua presença era como de uma entidade, para nós.

 

Quase todas suas ferramentas e as utilizadas pelos mestres marroquinos foram feitas por eles mesmos. A massa que eles usam é escorregadia e grosseira. Os processos rudimentares. Mesmo assim, eles entregam um acabamento impecável e muito rápido.

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Carrego, dessa experiência, uma aula de humanidade e cooperação. O melhor que pudemos deixar por lá foi nosso olhar. Eles não precisavam de nós para realizar o restauro. Poderiam ter capacitado trabalhadores locais.


Mas o fato da nossa equipe ter atravessado o mundo para vivenciar, aprender e compartilhar com eles, devolveu o orgulho que há tempos muitos deles já não sentiam. No fim das contas era sobre isso o projeto.

Para eles, o Tadelakt não é algo extraordinário. É algo do passado, estigmatizado. Muitos mestres artesãos não fazem ideia que isso se tornou febre por todo o mundo.

 

Pouquíssimas empresas e profissionais fazem algo para retribuir. Por isso ficamos honrados em trabalhar nesse projeto e com a New Age Artisans. Partilhamos dos mesmo valores.

 

Por trás das técnicas, materiais e processos estão seres humanos, com suas histórias, com suas dores e suas glórias. Queremos honrar todos que pisaram esse chão antes de nós, e todos os que ainda pisarão.

 

Por isso escolhemos o natural.

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“O que levamos para lá foi nosso olhar: a valorização e o reconhecimento de quão linda é essa cultura. Isso devolve para o local o orgulho de ser quem são.”

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Tudo que fazemos na Terruá existe há milênios no continente africano. Tudo veio de lá.

A planta mãe podia ter morrido e o conhecimento se extraviado, mas suas sementes vingaram, a milhares de quilômetros de distância e, depois de tanto tempo, retornaram ao solo original. Como a chuva que chega ao deserto.

Quer contar com sabedoria ancestral em seu projeto??

Projetos selecionados

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Esse charmoso Chalé situado na cidade de Três Coroas (RS) recebeu três de nossos acabamentos, tornando seus ambientes ainda mais aconchegantes e acolhedores.

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Trabalhamos junto da New Age Artisans liderando uma equipe internacional na aplicação de Tadelakt nesse resort paradisíaco na ilha de Cayo Espanto, em Belize.

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Outro trabalho em parceria com a New Age Artisans. Participamos da restauração de uma mesquita milenar, abalada por terremotos em 2023, no Marrocos.

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